A solitária Ana




Havia se passado alguns meses desde seu último relacionamento sério. Já era tempo de férias e o mais comum para uma mulher solteira como Ana era está em alguma festa com muita dança, álcool e amigos. Mas ao invés disso Ana estava sozinha no seu apartamento assistindo aqueles programas de humor da TV que não tem nada de engraçado.

Os seus dias passavam lentamente e no tom cinza. O programa favorito dela agora era dormir. Dormir para passar o tempo mais rápido, mas cada vez que acordava sentia que acordava mais vazia e que tinha perdido mais um dia da sua vida. Afinal dias cinzas não são lembrados. Há não ser aqueles que de cinza só tem o céu chuvoso e um namoro gostoso.
Mas Ana a cada dia se sentia mais sozinha e ela sabia que isso iria aumentar se ela não tomasse uma atitude. As ultimas vezes que sua campainha tocou foi seu porteiro deixando a conta de energia e pedindo o lixo.
Ela olhava sua lista de contatos no celular e não tinha ninguém para quem ligar, pra combinar uma saída. Suas amigas estavam todas aproveitando o frio das noites com seus namorados e Ana sozinha. A sensação mais parecida com prazer que ela sentia era quando se empanturrava de brigadeiro de panela.
Ana estava se tornando uma mulher solitária e o pior que estava quase se conformando com isso. Ela adorava sua própria companhia. Até o dia que num desses programas de pessoas solitárias. Assistir filme com uma panela de brigadeiro e refrigerante ao lado ela se deparou com aquelas cenas de romance, aqueles amassos no sofá, aquele banho junto, acordar com um bom dia sussurrado no ouvindo depois de uma noite de amor...
Então Ana chorou, chorou feito uma criança que se perdeu da mãe no meio de uma multidão.