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Meu Momento ♡

Você poderia ter sido o homem da minha vida

[Você pode ler este texto ao som deSay Something]
           Olá, espero que as coisas estejam fluindo na sua vida desde a última vez que nos encontramos. Faz um bom tempo que meu coração fica inquieto e pede para que eu escreva para você, bom, confesso que já escrevi umas duas vezes e em seguida rasguei o papel. Dessa vez resolvi escrever aqui, não te enviarei, mas eu sei que um dia acabará chegando em você.         Bom, a primeira coisa que queria te dizer é que você poderia ter sido o homem da minha vida, talvez não no momento que nos esbarramos na primeira vez, mas quem sabe agora ou lá na frente, porém, não é e nem será, é, você estragou tudo (não falo do nosso pseudo-relacionamento), você  mostrou ser alguém que eu não gostaria de dividir nenhum segundo do meu dia, quanto mais minha vida.          Não, não tenho mais raiva de você, por muito tempo tive medo, sim, medo, você me fez sentir algo que nunca imaginei que sentiria, e hoje olho para o mundo com outros olhos, me sinto ma…

Eu te proíbo de me querer, de dizer que me ama ainda



Nunca fui atrás de você, tampouco procurei saber. Por uma única e elementar razão: esquecer você, ou melhor, aprender a conviver com o céu, o sol, o mar,  foi a coisa mais difícil que já fiz na vida. Então fica fácil simplesmente não me permitir procurar ou saber de você. A força dessa resistência é meu prêmio por superar a abstinência, como jamais vi um humano fazer. Fiquei boa nisso. Se amar alguém ensandecidamente e não ousar pensar nesta pessoa por mais de dois minutos fosse esporte olímpico, eu subiria no lugar mais vertiginoso do pódio. Lá de cima, diante dos microfones de imprensa, eu agradeceria afoita e suada às intermináveis festas estranhas, os homens de uma noite só e cada gole etílico que tomava conta do espaço deixado pelo mar de lágrimas do primeiro ao sétimo dia. Foram imprescindíveis, logo seria justo repartir a alegria mais triste que já conheci.
Hoje sou uma mulher recomeçada, menos verde, mais bem vestida, mais ciente das minhas atribuições de mulher/namorada/amante, mais disposta a sorrir, mais receptiva ao toque, menos crente de que os outros não passam somente de "os outros" e, pra ser sincera, só um pouquinho infeliz. Então no meio de tudo, desta programação de infinitos passos, vem você abrupto feito um frisbe no maxilar na beira da praia, sem dar tempo de notar de onde veio:

- Ainda te amo.

Bem agora. Bem no mês que eu parecia estar conseguindo colocar o mundo todo de cabeça pra cima novamente, com o toque mental de um super-homem. Justo quando eu terminava de unhar as casquinhas nojentas das feridas que você mesmo abriu. Logo quando eu havia conseguido aceitar a ideia de retornar a lugares públicos que me trouxeram alegria, ar puro, paixão - entenda, precisei anular neste um ano e meio, como um alcoolista que não pode se aproximar de uma trufa de rum que volta a beber.
Pois eu te proíbo de me querer, de dizer que me ama ainda, de ser meu chão, de pensar em mim, de me oferecer mais. Tenho mérito a esse direito. Minha resiliência segue em franca inclinação, meu universo segue em franca expansão, meu vagar em busca de um novo amor continua de pé. Se hoje eu não fosse prisioneiro da liberdade, te devolveria:

- Ainda te amo.

Mas não possuo caradura o suficiente para jogar no lixo todo tempo que levei pra superar o baque da sua ausência. Sem garantias, simplesmente já não dá mais pra acreditar no amor.

Gabito Nunes (Adaptado) 

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