Estou indo de volta pra casa


Sabe quando você não consegue segurar o choro? Quando a vontade é tamanha que você não liga pra onde esteja ou com quem e simplesmente chora e tenta aliviar a angústia que domina seu peito. É o que está acontecendo comigo agora. Estou em um ônibus lotado indo para casa de férias definitivas. É estou chorando na viagem de ida pra férias. É realmente sou muito estranha mesmo, os outros vão felizes e rindo curtir as férias e eu vou com uma dor enorme no peito, que de tão forte transbordou pelos olhos e me fez roubar a atenção e a curiosidade dessas pessoas estranhas. As pessoas ficam felizes pelas férias porque sabem que é somente uma pausa na rotina. No meu caso é uma despedida a uma rotina,a uma fase da minha vida. Sei que voltarei nessa cidade diversas vezes, quem sabe essa semana ainda talvez. Mas não vou pertencer mais a esse lugar, vou vim só de passagem. Estou feito criança sentada na janela do ônibus atenta aos detalhes da cidade, as lágrimas insistem em cair. Mesmo com os fones de ouvindo no volume máximo e ouvindo um samba os pensamentos e as lembranças não silenciam, elas gritam cada vez mais alto. Tentei dormir também e fugir dessa agonia, é uma tarefa impossível com esse calor. Resolvi escrever agora, quem sabe as lágrimas que mancham meus óculos diminuam através de palavras. O que mais me pesa é a incerteza de um reencontro com aqueles que convivi durante anos. O que mais me machuca é o medo de entregar a chave do meu apartamento e esquecer trancado lá alguma das minhas memorias. Ontem comecei a encaixota lembranças pra mudança e coisas esquecidas surgiram e me trouxeram sorrisos e lágrimas de saudade. Eu sei que deve ser loucura minha esse apego com as lembranças e minha ‘antiga’ rotina, mais essas coisas são as que tenho certeza que são realmente minhas, é o meu passado e vai sempre esta comigo e ninguém pode me tirar isso, a não ser o mestre que tudo pode, o tempo, transformando tudo em lembranças e que serão perdidas no fundo da minha caixa de recordações, meu coração. 


17.12.12
Diandra Muniz
Numa viagem quente e com gosto salgado da saudade...