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26 fevereiro 2013

Preciso da solidão



De vez em quando eu acordo falante, outras vezes quero ficar bem quieta, respondendo sim ou não, sem ninguém reclamando que estou monossilábica. Em alguns dias adoro o meu cabelo ondulado, já em outros tenho vontade de passar a máquina na juba. Tenho insônia, mas não é frequente. Ela, por óbvio, escolhe as melhores noites para me visitar. Em geral é quando eu preciso mesmo ter uma boa e tranquila noite de sono. Vivo me embolando nos meus compromissos, perco o foco com facilidade. Esqueço coisas, preciso fazer listas. De vez em quando me dá uma tara, acordo e resolvo organizar todos os armários, gavetinhas e gavetonas. Acordo com aquele humor incrível e acho que nada, nada vai me abalar. Em outras ocasiões, meu humor é péssimo, até eu tenho medo de mim, pois a voz das pessoas me irrita. A cara. O jeito. As perguntas. Um determinado olhar. Tudo é motivo para encher o baú da minha irritação. Sou explosiva. Minha raiva vai até ali e dá choque, faíscas para todo o lado, salve-se quem puder. Depois passa, não guardo mágoa, elas dão marcas de expressão. Você sabe, perto dos trinta elas começam a aparecer.


Tenho uma particularidade instigante: preciso da solidão. Gosto de pessoas, preciso delas, não sei viver sozinha. Mas sou mimada, preciso quando eu quero. Sou egoísta, gosto de ver televisão sozinha, sem ninguém falando junto. Sou chata, não gosto de dividir banheiro com ninguém. Sou espaçosa, bagunço as minhas coisas. Preciso da solidão pra ler, pra olhar para o teto, pra tirar ponta dupla do cabelo, pra fazer as unhas, pra pensar em tudo, pra fazer nada. Preciso da solidão pra ser eu mesma. Pra fazer alongamento, rir de mim, chorar comigo. Não entendo como tem gente que não abre a janela em dias nublados. Eu adoro janelas abertas, esteja um dia lindo de sol ou um carregamento de nuvens cinzas. Tenho que sentir o ar que vem lá de fora, seja ele qual for. Com seu gosto, cheiro, textura. Falo algumas coisas esquisitas como essa, por exemplo, ar com textura. Conheço cores que ninguém conhece, vejo alguns filmes que grande parte da população acha tosco. Não gosto de deixar as coisas pela metade, mas já deixei faculdades, relacionamentos, livros, alguns planos.



De vez em quando eu me repito. Às vezes coloco vírgulas em lugares errados. Tenho uma mania ordinária de corrigir as pessoas. Quando eu não sei como agir dou risada. Se eu não gosto de alguém fecho a cara. Não consigo fingir que tá tudo bem, quem faz isso pra mim é mestre - da falsidade. Sou radical ao extremo. E meu coração é mole. Mas até ele precisa ficar sozinho de vez em quando.



Dia desses a minha casa estava repleta de gente. Eu disse cheia mesmo. Sim, eram pessoas de bem, limpinhas, que eu gosto e me são importantes. Isso nada tem a ver com o fato de querer estar só. Por incrível que pareça não sou um bicho, gosto de gente. É bem verdade que prefiro animais, são mais sinceros. A casa estava cheia, tão cheia que eu nem tinha lugar para dormir. Então fiquei pensando: como as pessoas conseguem (con)viver com outras? Talvez eu não saiba viver em sociedade. Desde pequena aprendi a dividir, tenho um irmão. Quem tem irmão sabe que a gente divide carinho, atenção, chocolate e brinquedo. Mas eu não sei dividir a minha solidão. Acho que ela me alimenta, me dá forças. Preciso ter diariamente uns momentos meus. Sem barulho externo, sem conversa alheia, sem olhos atentos. Só eu e minhas confusões. Casa cheia, gente amada, o único lugar que eu estava só era no banho. Então eu tomava banho seis vezes por dia, pra ficar sozinha.



Você não quer acreditar, mas isso é normal. Quem gosta da própria companhia sabe do que eu estou falando!

26 novembro 2012

Nasci pra andar sempre de mãos dadas com a minha liberdade e com o amor que me move.




Quer meu amor, carinho, respeito e admiração? Me deixa livre, me deixa solta, não me pressiona, não me força, não me prende. Mas ao mesmo tempo me mostra que tenho pra onde voltar, que tenho abrigo, que tenho colo, que tenho conforto e, de quebra, um cafuné pra me fazer companhia nas noites vazias.

Não sou tão difícil assim de desvendar. Meus olhos nunca souberam mentir, apesar da minha boca dizer certas coisas que nem sempre são sinceras. Me desculpe, mas é que às vezes preciso fingir. [...] Dizem que o amor machuca, eu tenho esse lado infantil que se atira sem pensar e esse lado adulto que se preocupa com os tombos que surgem no meio dessa difícil estrada que é o sentir. 

Tenho um bocado de coisas pra aprender, meu coração ainda é criança. Sofro por coisas bobas, me preocupo com o que ninguém vê. O invisível sempre me interessou demais. Aquilo que a gente não consegue tocar, mas que consegue sentir profundamente. E eu sinto tanto, tanto. Me confundo no meio de tantos sentimentos bons, contraditórios, sem nome, sem nexo. Nem sempre sentir esclarece as coisas, não. Muitas vezes o sentir só atrapalha tudo e deixa a gente ainda mais enrolado. Mas que graça a vida teria se não fossem esses gostinhos doces e salgados, alternando, se misturando, lutando entre si? Nenhuma. Por isso, aceito resignada o que me foi destinado. Nasci pra andar sempre de mãos dadas com a minha liberdade e com o amor que me move e me faz sentir cada coisa de forma arrebatadora. E vou viver assim até o último dia da minha vida

20 outubro 2012

Nasci pra ser livre, mas preciso saber pra onde voltar




Eu não sou quem você pensa. Sou orgulhosa, exibida, não sei dizer não, detesto passar roupa, não lavo a louça no dia em que faço as unhas, tenho preguiça de gente lenta, penso sem parar, engato um assunto no outro, vivo com as pernas roxas, pois sou estabanada. Detesto abacate e arroz doce.

Gosto de abraçar apertado, beijar estalado, olhar no fundo do olho até desvendar a pessoa por inteiro. Já me enganei muito com as pessoas, já menti, já falei o que não devia, já meti os pés pelas mãos, já fui imatura e sem noção. Já saí na rua de cabelo sujo, unha descascada e perna cabeluda. Já tentei ser uma super mulher e desisti dez segundos depois. Já tentei seduzir e fazer jogo, mas não combina comigo, meus olhos sempre me entregam e eu começo a rir quando faço tipo. Nunca usei ninguém e detesto ser usada. Nunca traí nem fui desleal, palavra pra mim é coisa séria.


Meu lado criança acha que um dia vai mudar o mundo. Meu lado adulto também. Prefiro cachorros, mas acho bonito o jeito que os gatos se movem. Adoro animais em geral, menos insetos e animais que são pegajosos. E não vou muito com a cara do passarinho que começa a cantar às três da manhã.


 Já gostei de pessoas e elas já gostaram de mim. Já iludi pessoas para deixar o meu ego de bem com a vida. Sim, eu sei que isso é horrível, mas eu tinha vinte anos e naquela época me achava a rainha da cocada preta. Já fui iludida por pessoas que queriam deixar seus egos de bem com a vida. É, o mundo gira e a gente sempre leva o troco.


Adoro chorar em filmes. E já fiquei me olhando no espelho enquanto chorava. Treinei tanto que hoje posso afirmar que choro bonito. Já passei trote, já apertei na campainha e saí correndo, já enchi de desaforo pessoas que não mereciam.


Detesto perder quando estou jogando cartas ou qualquer outro jogo. E se perco mais de uma vez seguida sinto vontade de parar de jogar. É, eu não sei perder, confesso. Não gosto quando alguém não gosta de mim. Não gosto quando falam mal de mim. Não gosto quando sou criticada. Mas aprendi a lidar com isso, hoje procuro estar com minha consciência tranquila. E entendo perfeitamente que é impossível agradar a todos.


É claro que é bom ser amada. Quem não gosta de um confete e serpentina? Mas prefiro sinceridade. Prefiro que você diga que não gosta de mim do que vir aqui, sorrir um sorriso quase sincero, virar as costas e falar mal.


Nasci pra ser livre, mas preciso saber pra onde voltar. Gosto do meu aconchego, meu porto-seguro, minha paz. E encontro tudo isso na minha família. Descobri que o amor só vem quando a gente começa a curtir a própria companhia, afinal, para se entregar para alguém é preciso saber exatamente quem você é (e ainda assim ser feliz).





Clarissa Correa

07 outubro 2012

Fé!





Pensei em sumir. Desaparecer. Despistar. Fingir. Só que eu não vou. Vou me esforçar e acreditar que tudo vai ficar bem. A esperança nos mantém vivos, certo? A fé nos faz andar para a frente, certo?

Clarissa Corrêa

06 julho 2012

Mas esses poucos, pode apostar, amo muito.


Eu não sou legal, não mesmo. Acho que sempre tenho razão e quando minhas previsões dão certo olho com a cara mais abominável do mundo, dou um sorriso irônico e falo o clássico eu-te-avisei. É que, em geral, eu tenho razão. Essa é a primeira –e mais importante – coisa que você precisa aprender a meu respeito. (…) Não sei receber elogios, fico sem saber o que fazer, me atrapalho e acabo trocando de assunto – quando não troco as pernas e tropeço em algum canto de mim. Sorrio para disfarçar desconfortos. Se eu não gosto de você é bem provável que você tenha medo do meu olhar. E eu posso simplesmente não gostar de você de graça. Se eu gostar de você aviso de antemão que você é uma pessoa de sorte. Eu me entrego. Quem vive comigo sabe. Quem convive comigo sente. Eu amo poucos. Mas esses poucos, pode apostar, amo muito.


— Clarissa Corrêa 

30 junho 2012

Quer mesmo?



Quer? Então pega. Pega por inteiro. Minha parte boa, minha parte chata, minha parte cinza-chumbo. Crise de tpm, crise existencial, crise de riso, crise de choro. Não queira só um lado ou só algumas partes. Se quer (quer mesmo?), queira tudo. Completa e complicada. Simples e confusa. Dramática e exagerada. Não gosto de partes, gosto da coisa inteira. Metades não me agradam. Não me atraem. Não me satisfazem. Se eu te quero, quero 100%. Inteirinho. Com teu lado cretino e bonzinho. Com teu jeito arrogante e descontrolado. Tua doçura e acidez. Não me vem com mais ou menos. Nem vem. Nem, nem. Comigo é tudo ou nada. Mesmo. Quer?


— Clarissa Corrêa.

23 junho 2012

Hoje é dia de ficar alegre



No meu aniversário, sabe-se lá o motivo, me sinto especial. É o meu dia, é um dia inteiro que me pertence, dia em que nasci, dia de riso e sorriso e abraço e felicidade que dá saltinhos dentro do peito, dia de gente querida falar coisa querida, dia de paparicos e coisinhas fofas. Aniversário é dia de ficar bem bela e sorridente, distribuindo carinhos com os olhos. Aniversário é tempo de não pensar em problemas, só chorar de alegria, emoção, só chorar por causa daquele calorzinho bom que dá dentro da gente quando a energia boa se instala. Aniversário, definitivamente, é dia de ficar alegre.

 Clarissa Corrêa

Do momento Diandra 2.2

20 junho 2012

Quero ser simplesmente eu


Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente. E quero continuar errando, pois jamais serei perfeita (ainda bem!). Tampouco quero ser comum e normal. Quero ser simplesmente eu. Quero rir, sorrir e chorar. Sentir friozinho na barriga, nó no peito, tremedeira nas pernas. Sentir que as coisas funcionam e que tenho que trocar de jeito quando insisto em algo que não dá resultado. Quero aprender e, ainda assim, continuar criança. Ficar no sol e sentir o vento gelado no nariz. Quero sentir cheiro de grama cortada e café passado. Cheiro de chuva, de flor, cheiro de vida. Aprecio as coisas simples e quero continuar descomplicando o que parece complicado. Se der pra resolver, vamos lá! Se não dá, deixa pra lá. A vida não é complicada e nem difícil, tudo depende de como a gente encara e se impõe. Quero ser eu, com minha cara azeda e absurdamente açucarada. Não quero saber tudo e nem ser racional. Quero continuar mantendo o meu cérebro no lugar onde ele se encontra: meu coração. E essa é a melhor parte de mim.


— (Clarissa Corrêa)


Uma  das melhores definições  sobre mim feita por alguém.  (:
É eu sou assim, desse jeitim! ;)

(...) pra mim é tão importante



Quero ler mais livros. Escutar mais músicas. Assistir mais filmes. Quero ter menos preguiça, sentar mais no chão, correr mais pelo parque. Sabe, essas coisas fazem com que eu me sinta livre. Acho ruim a gente ter que se aprisionar. Quero sair de noite, caminhar sem rumo, ficar olhando para o céu. Pode soar bobo, mas isso pra mim é tão importante.


— Clarissa Corrêa

19 junho 2012

Coisa de mulher


Acho que em alguns dias a gente acorda meio louca. Não tem outra explicação. Dá uma saudade de coisas que já passaram, de coisas que nem vivemos direito, do que nem sabemos ao certo. E uma vontade de trocar de nome, de corpo, de cabelo, de profissão, de país, de vida.

Não é fácil conviver com o presente e com o passado. Não é fácil perder a mania de ficar tentando prever o futuro, ficar naquele jogo infinito de adivinhação, tateando feito um cego o amanhã que só vai chegar na hora que tiver que ser. Então, me pergunto: o que, afinal, é? A gente não sabe da onde vem, o que faz no mundo, pra onde vai. 

Cadê a explicação? Por que temos que passar por determinada coisa, por que pra alguns a vida é mais difícil, por que tem gente que não sofre, não passa aperto? Por que a vida parece que ilumina algumas pessoas e deixa outras no escuro? Eu não sei dizer, você também não sabe. O que eu sei é que parece que para algumas pessoas a vida é mais fácil, as coisas acontecem de forma mais simples, tranquila, sem sobressaltos, tempestades e medos.

Olha, quer saber, não sei porque falo tudo isso agora. Acho que acordei louca. Louca de saudade de mim. Louca de saudade dos meus sonhos que ficaram trancados dentro da gaveta. Louca de vontade de voltar no tempo e fazer certo. Mas eu fiz o que tinha que ser feito. Eu fiz o que estava ao meu alcance. Me arrependi, sim, de algumas coisas. Quem nunca se arrependeu? Acho que a gente tem muitas chances na vida pra tentar endireitar as coisas. E eu tento me endireitar constantemente. Vou torcer para que isso signifique alguma coisa no meio desse emaranhado de incertezas e interrogações que é a vida.

 Clarissa Correa