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20 setembro 2018

Me sinto pronta


Apesar de ter quase minhas 3 décadas de vida, ter uma profissão, pagar meus impostos e morar ‘sozinha’,  até pouco tempo atrás me sentia frágil como uma adolescente de 15 anos, eu tinha consciência da minha idade e maturidade, mas não me sentia como posso dizer, mulher. Apesar de ouvir isso de muitas pessoas.
Mas de um tempo pra cá, menos de um ano para ser mais exata, eu me sinto a mulher que todos enxergavam. E tenho adorado me sentir assim, e principalmente me perceber assim.
Acredito que nossa vida é cíclica, e que todo dia um se abre e outro se fecha e por aí vamos.
Tenho notado nos últimos dias uma inquietação interna minha, e que não consegui caracterizar muito bem ainda, e do nada ‘bati’ aqui no blog, que pra mim se tornou quase que um diário online, que é esquecido durante meses, mas que sempre vira confessionário em fases decisivas da minha vida, talvez ele sirva para quando essa canceriana estiver velhinha e deseje reviver as lembranças, ou talvez eu presentei para meus filhos, para que eles vejam quem era a Diandra antes da chegada deles, enfim, não sei ainda. Mas voltado pra minha inquietude, enquanto escrevo isso alguns pensamentos foram se alinhando, e acredito que ‘descobri’ uma das causas dessa inquietação, sempre sonhei muito, muito mesmo, até tatuei isso na pele, mas meus sonhos quase sempre ficaram no imaginário e no tempo distante, eu me sentia menina demais para realizá-los. Hoje sinto que cheguei em um nível tão como posso dizer: dona de mim, que agora apenas sonhar não satisfaz, não faz meus olhos brilharem.
Os sonhos também foram revistos, praticamente continuaram os mesmos, mas de um formato novo, eu não preciso de um castelo, um príncipe e um cavalo-branco. Na verdade nunca precisei.
Eu só preciso de um lar, que pode ser uma casinha de chão batido (a beach house é assim), mas que seja minha cara, que me abrace quando eu chegar depois de um dia exaustivo, que seja palco de risos e encontros.
E sobre o príncipe, bom, ele é um sapo [por favor, Amor, ao ler isso não me leve a mal]. Príncipes na verdade não passam de idealizações dos contos de fadas, quero dividir meus dias com um cara normal, parecido comigo, cheio de manias e defeitos, pois eu não sei e nem quero ser princesa toda hora e dia, tô mais para gata borralheira.
Acho que encontrei o X da questão, eu tô borbulhando por dentro, porque não quero mais apenas sonhar, eu me sinto pronta para viver meus sonhos. Tá na hora de dar meus primeiros passos.
E talvez muito em breve, eu venha aqui confessar o florescer deles...

17 maio 2016

Em busca da minha estrada de tijolos amarelos




E quando a vida clama por mudanças?
Quando não consegue mais abafar os gritos do seu interior?

A cada dia que passa cresce em mim uma vontade de mudança. Um questionamento me persegue a cada hora do dia: Essa é a vida que você quer viver? E a cada noite, ao apagar das luzes, ao deitar a cabeça no travesseiro pra descansar o cansaço do mundo, tenho mais certeza que não estou, que não estou no caminho certo, que preciso mudar. Mas mudar requer uma quebra total de todas as certezas, um confronto com aquilo que me separa da MINHA verdade.

Preciso urgentemente sair em busca da minha estrada de tijolos amarelos.

Estou extremante cansada das discussões que tenho travado comigo mesmo, tentando de alguma maneira abafar os gritos do meu interior. Cansada de engolir o choro, de carregar no peito as angústias. Preciso parar de pensar “e se...” e agir.

Sei que esse processo de (re)encontro, não será fácil, muito menos breve. Mas tenho convicção que depende tão somente de mim.

E quando encontrar os meus tijolos amarelos, poderei enfim, rodopiar levemente, tirando todo e qualquer peso, das costas e consciência. E estarei livre para “Sorrir com a boca; sorrir com a mente; sorrir com o fígado.” Como diria o velho xamã de Comer, rezar e amar.

11 janeiro 2016

Amor Plural







 "Uma flor, amanhã, eu sei, nascerá nos quintais onde os sonhos se afirmam no jamais.
Uma flor, amanhã, eu sei, brotará, da imensidão lembrança de tardes outonais.
[...] Nascerá lindo luar! E os sentidos se confraternizarão, ao som do violão.
Felicidade é encontrar na saudade do abraço o encontro da nossa paz." 
(Canta-se)

Eu queria falar de amor... mas não do amor apenas vestido de palavras, queria falar do amor vestido.. de nuvens! Queria falar do amor comum, morno e normal, de sempre e de todos, do amor que nasce no gesto. Bem, eu queria falar do amor que não vem num cavalo branco, daquele amor que acontece, que é acontecência na vida, nos ciclos diários. Eu queria falar do amor que não existe na linguagem, mas no viver dos instantes... ou seja, o amor dos poetas calados. Esse amor humano, o amor substância do tempo no mundo, entende? Eu queria falar do amor sorriso, do amor lágrima, do amor saudade, do amor invisível... é, invisível! Que tolera o outro exatamente como ele é, desengonçado, esquecido, desajustado, esse amor que não está na gente e que só existe porque tentamos buscar de fora pra dentro, esse amor que deixa  gente cheio e vazio ao mesmo tempo. Eu queria falar desse amor estúpido mesmo, de jogar pipoca no outro, de fazer piada sem pé, sem eixo. Esse amor que nos permite sentir o infinito e que tem ficado estreito num mundo tão aflito.

É como o cara que entrou no mar e caminhou tão pra frente, rumo ao horizonte, que nunca mais voltou. E quando se perguntam "cadê aquele cara que entrou no mar?" Todo mundo responde: "Foi o mais perto do horizonte que ele conseguiu."

É desse amor que eu queria falar!

Letra e música: Mário Silveira (O Palhaço)


Essa música foi meu presente de aniversário de 2014. Hoje ela faz mais sentindo do que nunca, virou um mantra pra gente.
Obrigada meu amor, por ser a melodia mais linda da minha caixinha de música. Te amo. 

Uma flor, amanhã, eu sei, brotará...

14 novembro 2014

Preciso decid(ir)

O frio na barriga anda predominando nesses últimos tempos, virou meu companheiro constante. A possibilidade do novo, do desconhecido me encanta e também me inquieta. A contagem regressiva já começou e agora falta pouco. O momento da escolha se aproxima, preciso escolher se pulo no desconhecido e sinto todo meu corpo ser dominado pela adrenalina ou se fico aqui em cima, olhando pro abismo que é o inexplorado. A visão aqui do alto é espetacular, consigo fantasiar, sonhos lindos. Mas as vezes me pego a pensar se não seria melhor vivê-los do que apenas imaginar o que tem ali atrás da linha do horizonte.
O sol estar quase se pondo e a hora se aproxima.
Quando ele renascer eu precisarei decid(ir).







Diandra Muniz, 
em uma tarde exaustiva de ENEM.

08. Nov. 2014 

07 março 2014

Ando um pouco cansada demais



Noite de sexta-feira e eu me encontro aqui relendo postagens antigas, ao som de Chico Buarque, Bethânia, Gilberto Gil e Caetano Veloso. Não posso negar que estou muito bem acompanhada.
Ando cansada demais pra aproveitar a noite como a maioria das pessoas da minha idade estão fazendo.  Tudo que eu tenho procurado nos últimos tempos é diminuir a barulheira do mundo lá fora. E quando eu consigo diminuir o volume, escuto minha alma gritar "Garota, para! Relaxa e tira um tempo pra ficar comigo, sinto sua falta."
Acho que tô precisando conversar comigo um pouco. Talvez esse seja o motivo que me trouxe aqui, buscar  fragmentos meus pedidos com as preocupações e responsabilidades que me cercam hoje, vim tentar lembrar como eu costumava ser e com que costumava sonhar.
Acho que não nasci pra ser gente grande! :'(



Diandra Muniz

27 maio 2013

Moço do sorriso bonito



Como eu queria ser o motivo dos seus sorrisos mais sinceros.
Como eu queria invadir teus pensamentos como invades os meus.
Como eu queria ter certezas que existes e que não é apenas meros devaneios meus.
Como eu queria sentir o toque das tuas mãos, será que são suaves igual teu coração?
Como eu queria saber se causo essa confusão que causas em mim.
Como eu queria descobrir os segredos que trazes atrás do olhar.
Ah, como eu queria transformar teu cheiro no meu cheiro favorito.
Como eu queria coragem pra ti perguntar essas coisas.
Ah moço! Como eu queria você pra mim!

31 março 2013

Vou encarar o salto




E eu, que nunca soube entrar nas coisas pela metade, amar com moderação, manter os pés no chão, acho que agora aprendi . Acho que, hoje, o medo esmagou um pouco aquela inocência de acreditar em ‘felizes para sempre’, ‘amor da minha vida’, mas sem desacreditar no amor . Por algum tempo eu fiquei me perguntando quais as razões que levam uma pessoa a viver uma história de mentira, a fingir que ama, a fazer promessas sabendo que não vai cumprir . Sei lá se as pessoas mentem, ou se enganam . Sei lá se é por maldade . Sei lá .
O passado passou . Mas não é bonito lembrar . Não é bom puxar na memória os momentos bonitos, porque, inevitavelmente, os feios vêm junto . Então virou aprendizado, e só . Principalmente, do que não fazer . Do que não quero em um homem . Do que eu dispenso no amor . Do que (Na minha opinião) não deve existir em uma relação .
E, embora seja clichê, uma das maiores certezas que tenho, é que quase tudo tem lado bom . Até os tombos, que me deixaram mais resistente as quedas . Até as ausências, que me fizeram notar que posso viver sem determinadas pessoas .
Até as partidas, de gente que trazia pra minha vida mais lágrimas do que sorrisos, e acabaram abrindo espaço pra gente bonita de alma entrar .
O que eu sei é que a dor ensina . Que do chão a gente – realmente – não passa . Que um dia a gente levanta . Que dor de amor que acaba, pode ser transformada em esperança de dias mais bonitos, ao lado de quem sabe amar de verdade . Hoje, eu tenho evitado alguns voos, por medo do tombo . Mas eu tenho certeza, que quando aparecer a pessoa certa, assim, com um jeito-torto-parecido-com-o-meu, eu vou criar coragem, e de mãos dadas com ela, vou encarar o salto . (E confiar) De olhos fechados, e coração bem aberto .
Amém .

Karla Tabalipa

25 março 2013

Essência, é isso que encanta



Todo mundo já ouviu falar em amor à primeira vista, eu não sei se isso é apenas uma história ou se acontece realmente. Comigo pelo menos nunca aconteceu.
Minhas paixões sempre vieram depois de algumas longas horas de conversas, SMS trocadas, sorrisos, olhares e afinidades. Não sei como seria me apaixonar a 1º vista, como diria Antoine Saint-Exupéry: O Essencial é Invisível aos Olhos.
Acho que o amor só nasce através da essência do outro, o amor vai muito além da superfície. E é isso que unicamente me interessa em alguém: sua essência.
Talvez por isso eu nunca descubra se essa história de amor à primeira vista existe, pois meus olhos até hoje nunca reconheceram aqueles que amei antes que meu coração conhecesse sua essência. E quem sabe eles até já avistaram o meu novo amor, talvez ele possa está bem perto, mas pra reconhecê-lo, preciso enxergá-lo com os olhos do coração.  

07 março 2013

De quem voltou... Mas não pra ficar...

Trilha sonora desse momento  ♪


Ele: - Oi, quanto tempo! Será que eu podia entrar? 
Ela: -Oi... Claro, entra. 
Foi o que ela conseguiu falar, enquanto a cabeça reprisava todas as lembranças que ela custou tanto pra esquecer.
Ele: - Você deve estar surpresa com minha visita, assim de repente.
Ela - Sim, meio estranho. 
Ele: - Tentei falar com você algumas vezes, você mudou seu número né?
Ela: - Sim, mudei... Faz alguns anos já. 
(Mudei o meu número, e-mail, perfume, gosto musical, lugares pra frequentar, paladar, amizades...)
Ele: - imaginei que sim. Bom eu queria que você soubesse que apesar de todos esses anos eu nunca te esqueci, e que te deixar foi a pior decisão da minha vida. Queria ter tido coragem de ter dito isso pra você antes, mas não deu.
Ela: Você não sabe o quanto imaginei e desejei esse encontro. Agora que você tá aqui na minha frente, as perguntas, xingamentos e raiva sumiram, que raiva de mim!
Conversaram um pouco sobre tudo, sobre eles, sobre os caminhos que tinham pegado. E sobre principalmente as lembranças do passado. Até que:
Ele: - Se você quisesse a gente podia tentar de novo. O que acha?
Ela: - Não sei, tenho medo de reabrir minhas cicatrizes. Melhor não. Acho melhor deixarmos como tá.
Ele: - Compreendo, posso te dá um abraço pelo menos?
Ela: - tá, um abraço não vai me arrancar pedaços, eu acho.
Eles se abraçaram, primeiramente como dois estranhos, em seguida o abraço foi ficando cada vez mais apertado... Ela derramou algumas lagrimas, aquele abraço fez ela se tele transportar diretamente pro passado. A quem diga que máquina do tempo não existem, mas aquele abraço era uma. O abraço estava quase os sufocando, mas eles se abraçavam cada vez mais forte. Até que por um impulso de lucidez, ela o afastou e pediu pra ele ir embora, já estava tarde... então ele se foi, mais uma vez. 
A companhia tocou, ela correu, mas dessa vez era a pizza pra sua decepção. Recebeu a pizza como se recebe uma má noticia, e entrou. Jogou a pizza em cima da mesa, voltou para verificar se tinha fechado a porta e se deparou com Ele plantado na sua sala.
Ele: - Desculpa, a porta tava aberta. Esqueci uma coisa na sua casa.
Ela: - o quê?
Ele se aproximou, agarrou pela cintura e disse: você! Antes de beijá-la. Ela não resistiu, e se beijaram desesperadamente como se o mundo tivesse acabando e eles não tivessem outra chance. As peças de roupas deles começaram a voar e decorar o apartamento dela. Até que os dois encontraram a cama, se amaram como dois jovens na sua primeira vez, e lembraram o quanto o dois eram bons juntos, no final de tudo ela deitou no abraço dele e adormeceu.
Acordou no meio da madrugada, olhou pro outro lado da cama e viu aquele cara dormindo, aquele que ela tanto amou, mas que hoje mal sabia quem era. Levantou-se, foi na cozinha e começou a comer pizza, mas tava gelada, então colocou no micro-ondas. Agora a pizza estava quente novamente, mas não tinha o mesmo sabor.
Voltou por quarto e percebeu que eles eram como aquela pizza requentada, tinham muito em comum ainda, mas não tinham o mesmo sabor. Vestiu a roupa, esperou ele acordar pra dizê-lo: o quanto foi boa a noite, o quanto foi bom ele ter reaparecido e esclarecidos as coisas e quanto era bom está colocando um ponto final naquela história.

- Desculpa, mais nós passamos do prazo de validade. Quero alguém saindo do forno, com o novo sabor. Com gosto de amor, confiança, respeito, companheirismo, sorrisos sinceros. Algo mais saudável que você, as magoas e as lagrimas que já derramei por sua causa.

Adeus, mudei o número do meu celular e meu paladar também!

Se cuida!


Leia o começo dessa historia aqui!

04 março 2013

308



Hoje me bateu uma saudade gigante do meu querido e amado 308. 
Faz um mês que ele virou uma das páginas mais intensas e importantes do meu passado.
Lembro como se fosse hoje o dia que abri aquele apartamento pela primeira vez, era uma menina desembrulhando sua casa de bonecas em tamanho real.
Nos primeiros dias a casa ainda era uma bagunça, ficamos sem energias nas primeiras 36 horas, mas pra mim era tudo lindo, era tudo um conto de fadas.
Com o passar os dias, acabei ganhando o cargo de 'chefe da família', comecei a ter responsabilidades de gente grande e gostei daquilo. Aprendi muito nesses três anos e seis meses com o 308.
Aprendi que quando se vai arrombar a porta de um banheiro, você deve gritar antes: '- sai da frente'. 
Aprendi que com criatividade e um varal na mão, você consegue consertar uma cama.
Aprendi que com um pedaço de Bombril, você criar uma antena para TV de última geração.
Aprendi que atravessar varandas no terceiro andar pelo lado de fora é emocionante e totalmente sem noção.
Aprendi que colocar uma panela de arroz no fogo e ficar no facebook, não cheira bem.
Aprendi o quanto é ruim ficar doente e não ter ninguém pra te ajudar.
Aprendi que dormir faz a fome passar. 
Aprendi que por mais que sejamos amigos de alguém é muito difícil continuamos assim depois da convivência.
Aprendi a chorar com chuveiro ligado.
Aprendi o quanto vale cada centavo gasto.
Aprendi a dormir de rede e no chão duro.
Aprendi o significado da palavra respeito.
Aprendi que andar de calcinha e sutiã dentro de casa é normal.
Aprendi a ser pai, mãe, filha, amiga, inútil, menina assustada, mulher madura.
Aprendi que banheiro não é cabine telefônica.
Aprendi que cantar com fones no ouvido é torturante pra quem escuta.
Aprendi a calar, quando o que eu mais queria era gritar.
Aprendi a gritar, pra ser ouvida.
Aprendi a lavar roupa.
Aprendi a dormir com a luz acessa pra minha colega poder estudar.
Aprendi que estudar na rede é o mesmo que pedi pra acordar com livro na cara.
Aprendi a respeitar a loucuras dos outros.
Aprendi que nada jamais será do jeito que eu quero.
Aprendi o quanto é importante o diálogo.
Aprendi o quanto a saudade doí.
Aprendi o quanto é sofrido passar seu aniversário longe de casa e não ganhar sequer um parabéns de quem mora com você.
Aprendi que café quente queima e que é melhor eu não tentar mais faze-lo.
Aprendi a amar das suas N maneiras.
Aprendi muita coisa no 308, mais até do que na faculdade. Cada cantinho daquele apartamento me traz lembranças. Lembranças que talvez nunca sejam confessadas, lembranças vividas e guardadas para nunca serem esquecidas.
Se as pessoas que moram nele hoje aprenderem um terço do que eu aprendi e vivi lá, posso dizer que elas serão pessoas bem melhores.
Faz um mês que entreguei sua chave. Dessa vez não era uma menininha com sua casa de boneca, era uma mulher fechando as portas do lugar onde ela viveu e aprendeu as maiores lições da sua vida.

Diandra Muniz



27 fevereiro 2013

"Estou ...

... dentro da sua mais doce lembrança, do seu ponto mais fraco. Não faço seu estilo, mais te completo. Sou como uma brisa que passou por você, e que você de alguma maneira tentou segurar, sou o que você chama de ponto fraco, e me doí ser tudo isso, quando o que eu só queria ser, sua .”

26 fevereiro 2013

Preciso da solidão



De vez em quando eu acordo falante, outras vezes quero ficar bem quieta, respondendo sim ou não, sem ninguém reclamando que estou monossilábica. Em alguns dias adoro o meu cabelo ondulado, já em outros tenho vontade de passar a máquina na juba. Tenho insônia, mas não é frequente. Ela, por óbvio, escolhe as melhores noites para me visitar. Em geral é quando eu preciso mesmo ter uma boa e tranquila noite de sono. Vivo me embolando nos meus compromissos, perco o foco com facilidade. Esqueço coisas, preciso fazer listas. De vez em quando me dá uma tara, acordo e resolvo organizar todos os armários, gavetinhas e gavetonas. Acordo com aquele humor incrível e acho que nada, nada vai me abalar. Em outras ocasiões, meu humor é péssimo, até eu tenho medo de mim, pois a voz das pessoas me irrita. A cara. O jeito. As perguntas. Um determinado olhar. Tudo é motivo para encher o baú da minha irritação. Sou explosiva. Minha raiva vai até ali e dá choque, faíscas para todo o lado, salve-se quem puder. Depois passa, não guardo mágoa, elas dão marcas de expressão. Você sabe, perto dos trinta elas começam a aparecer.


Tenho uma particularidade instigante: preciso da solidão. Gosto de pessoas, preciso delas, não sei viver sozinha. Mas sou mimada, preciso quando eu quero. Sou egoísta, gosto de ver televisão sozinha, sem ninguém falando junto. Sou chata, não gosto de dividir banheiro com ninguém. Sou espaçosa, bagunço as minhas coisas. Preciso da solidão pra ler, pra olhar para o teto, pra tirar ponta dupla do cabelo, pra fazer as unhas, pra pensar em tudo, pra fazer nada. Preciso da solidão pra ser eu mesma. Pra fazer alongamento, rir de mim, chorar comigo. Não entendo como tem gente que não abre a janela em dias nublados. Eu adoro janelas abertas, esteja um dia lindo de sol ou um carregamento de nuvens cinzas. Tenho que sentir o ar que vem lá de fora, seja ele qual for. Com seu gosto, cheiro, textura. Falo algumas coisas esquisitas como essa, por exemplo, ar com textura. Conheço cores que ninguém conhece, vejo alguns filmes que grande parte da população acha tosco. Não gosto de deixar as coisas pela metade, mas já deixei faculdades, relacionamentos, livros, alguns planos.



De vez em quando eu me repito. Às vezes coloco vírgulas em lugares errados. Tenho uma mania ordinária de corrigir as pessoas. Quando eu não sei como agir dou risada. Se eu não gosto de alguém fecho a cara. Não consigo fingir que tá tudo bem, quem faz isso pra mim é mestre - da falsidade. Sou radical ao extremo. E meu coração é mole. Mas até ele precisa ficar sozinho de vez em quando.



Dia desses a minha casa estava repleta de gente. Eu disse cheia mesmo. Sim, eram pessoas de bem, limpinhas, que eu gosto e me são importantes. Isso nada tem a ver com o fato de querer estar só. Por incrível que pareça não sou um bicho, gosto de gente. É bem verdade que prefiro animais, são mais sinceros. A casa estava cheia, tão cheia que eu nem tinha lugar para dormir. Então fiquei pensando: como as pessoas conseguem (con)viver com outras? Talvez eu não saiba viver em sociedade. Desde pequena aprendi a dividir, tenho um irmão. Quem tem irmão sabe que a gente divide carinho, atenção, chocolate e brinquedo. Mas eu não sei dividir a minha solidão. Acho que ela me alimenta, me dá forças. Preciso ter diariamente uns momentos meus. Sem barulho externo, sem conversa alheia, sem olhos atentos. Só eu e minhas confusões. Casa cheia, gente amada, o único lugar que eu estava só era no banho. Então eu tomava banho seis vezes por dia, pra ficar sozinha.



Você não quer acreditar, mas isso é normal. Quem gosta da própria companhia sabe do que eu estou falando!

27 dezembro 2012

Quem espera sempre alcança, será?


Eu espero alguém que não desista de mim mesmo quando já não tem interesse. Espero alguém que não me torture com promessas de envelhecer comigo, que realmente envelheça comigo. Espero alguém que se orgulhe do que escrevo, que me faça ser mais amigo dos meus amigos e mais irmão dos meus irmãos. Espero alguém que não tenha medo do escândalo, mas tenha medo da indiferença.
Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que vou ler até o fim. Espero alguém que se arrependa rápido de suas grosserias e me perdoe sem querer. Espero alguém que me avise que estou repetindo a roupa na semana. Espero alguém que nunca abandone a conversa quando não sei mais falar. Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos.
Espero alguém que goste de dirigir para nos revezarmos em longas viagens. Espero alguém disposto a conferir se a porta está fechada e o café desligado, se meu rosto está aborrecido ou esperançoso. Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros. Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade. Espero alguém que possa criar toda uma linguagem cifrada para que ninguém nos recrimine. Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como se ainda fosse perfume.
Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto. Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que me telefone para narrar como foi seu dia. Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito. Espero alguém que minta que cozinha e só diga a verdade depois que comi. Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail. Espero alguém que ame meus filhos como se estivesse reencontrando minha infância e adolescência fora de mim.
Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar. Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente. Espero alguém que tenha uma risada tão bonita que terei sempre vontade de ser engraçado.
Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse. Espero alguém que prepare minha festa de aniversário em segredo e crie conspiração dos amigos para me ajudar. Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas  pensam a nosso respeito. Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza. Espero alguém que curta o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas.
Espero alguém que me ensine a me amar porque a separação apenas vem me ensinando a me destruir. Espero alguém que tenha pressa de mim, eternidade de mim, que chegue logo, que apareça hoje, que largue o casaco no sofá e não seja educado a ponto de estendê-lo no cabide. Espero encontrar um homem que me torne novamente necessário.

Fabrício Carpinejar

21 dezembro 2012

Vem!


O que eu queria mesmo é que você chegasse, mas não pode chegar por chegar, e sim, vem para cuidar, cuidar de mim. Sabe, cansa sair e conhecer as pessoas pela metade, eu quero alguém para a vida toda, já aproveitei muito sozinho. Vem, me faz totalmente feliz agora, deixa eu sentir o prazer com o amor, dizem que é tão bom fazer amor com quem se ama, porque desejar, isso é fácil, eu posso sentir vontade em todos que eu olhar, mas vontade vem e passa, e tudo o que passa eu to correndo, eu quero algo que fique, fixe, fica aqui, fixe em mim, eu juro que vou aprender a cuidar de você, vou saber arrumar a cama na sala, para deitarmos e ficarmos fazendo nossos planos de amor. Eu quero você agora, seja em qual for o momento. Se você chegar agora, e o momento for ruim, eu faço isso inverter, eu começo a criar uma história com você. Uma história boa. Olha aqui, eu estou morrendo de vontade de que você chegue, eu quero muito começar fazer loucuras, loucuras de amor. Eu acho muito lindo essas coisas, eu sempre me imaginei gritando loucamente de amor por alguém, na rua, as 4:00am, enquanto todos dormiam, a gente iria se amar na rua, na chuva, na lama, onde for, com você, meu bem, eu faço o que for, eu vou onde for, mas você precisa chegar. Eu quero começar a traças planos, concretizar sonhos, mas todas as vezes que tento fazer isso sozinho, não consigo, sei lá, me sinto incompleto, eu preciso de alguma base, algum sustento, eu preciso é de você. Todos meus amigos estão lá, com alguém, mas amanha ao acordar, quem são? Daqui há 1 semana, mês, meses, ano ou anos, vão se encontrar na rua e não irão se reconhecer, não da, não consigo, eu particularmente não me sentiria bem, mas fazer o que? Parece que para você ser completo, precisa disso. Por mais que só dure uma noite, precisam de quantidade, mas por favor, entendam, eu quero só alguém que tenha qualidade, que me veja como eu preciso ser visto. Estou esperando você, sala branca, com móveis rebaixados e televisão suspensa, essa será a nossa sala. Quarto chão madeira, cama box e um quadro com nossa primeira foto, mas em cima, de vidro. Os planos estão sendo formados, só falta você chegar, se quiser aparecer agora, eu vou estar disposto a te dar tudo, todo amor, todo prazer, todo o sustento, mas você precisa ir comigo até o fim, meu bem, meu amor, seja o que for. Não venha pela metade, nunca. Sabe por que? O que vem pela metade, se desfaz, acaba, e nós, eu quero guardar tudo o que vivermos, tudo o que passarmos. Eu vou escrever tudo, para que um dia, quando estivermos velhinhos, eu ler tudo para você, letra por letra, linha por linha, frase por frase, relembrar tudo, com uma vontade imensa de voltar no tempo, não para viver de novo, mas só para relembrar cada beijo, cada olhar e casa sorriso seu. Vem!

Felipe sallles

20 dezembro 2012

Queria ter com quem trocar cartas





Sempre desejei ouvir "Diandra, tem carta para você!" ver um envelope com meu nome e saber que alguém dedicou algum tempo pra mim. Acho que deve ter um gostinho doce como de brigadeiro feito em casa, escrever para alguém e ler o que escreveram para você. 
Pena que o mundo ficou moderno demais pra essas coisas tão simples!
Quem sabe um dia eu ainda escute essa frase e saboreie esse gostinho doce!


18 dezembro 2012

Recado dado!



Vocês não sabem o que têm nas mãos
Tocam os seios sem saber que no meio bate um coração,
beijam bocas sem ouvir o que elas têm a dizer,
fixam os olhos sem perceber que por trás há uma mente inquieta.
São milhares de pensamentos e sentimentos que pulsam e se confundem,
vocês deviam fazer mais que apenas assistir.

Tenho pena dos que não se arriscam,
dos que não pulam e gostam do morno,
dos que se conformam com piscinas rasas e vidas rasas também.
Tenho pena dos que vão embora cedo, dos que só viajam até a esquina,
dos que pensam mil vezes antes de falar.

Vocês não sabem o que têm nas mãos.
E perdem amores por apostas,
perdem companhia por desinformação e cumplicidade por medo.
Perdem tempo. O meu e o de vocês.



Verônica H.

26 novembro 2012

Nasci pra andar sempre de mãos dadas com a minha liberdade e com o amor que me move.




Quer meu amor, carinho, respeito e admiração? Me deixa livre, me deixa solta, não me pressiona, não me força, não me prende. Mas ao mesmo tempo me mostra que tenho pra onde voltar, que tenho abrigo, que tenho colo, que tenho conforto e, de quebra, um cafuné pra me fazer companhia nas noites vazias.

Não sou tão difícil assim de desvendar. Meus olhos nunca souberam mentir, apesar da minha boca dizer certas coisas que nem sempre são sinceras. Me desculpe, mas é que às vezes preciso fingir. [...] Dizem que o amor machuca, eu tenho esse lado infantil que se atira sem pensar e esse lado adulto que se preocupa com os tombos que surgem no meio dessa difícil estrada que é o sentir. 

Tenho um bocado de coisas pra aprender, meu coração ainda é criança. Sofro por coisas bobas, me preocupo com o que ninguém vê. O invisível sempre me interessou demais. Aquilo que a gente não consegue tocar, mas que consegue sentir profundamente. E eu sinto tanto, tanto. Me confundo no meio de tantos sentimentos bons, contraditórios, sem nome, sem nexo. Nem sempre sentir esclarece as coisas, não. Muitas vezes o sentir só atrapalha tudo e deixa a gente ainda mais enrolado. Mas que graça a vida teria se não fossem esses gostinhos doces e salgados, alternando, se misturando, lutando entre si? Nenhuma. Por isso, aceito resignada o que me foi destinado. Nasci pra andar sempre de mãos dadas com a minha liberdade e com o amor que me move e me faz sentir cada coisa de forma arrebatadora. E vou viver assim até o último dia da minha vida

05 novembro 2012

Não me economizo mais. Me gasto.

Antigamente, quando ficava triste, eu queria que a alegria viesse em meu socorro em minutos, como se ela fosse à próxima estação do metrô. Não queria atravessar ruas desertas, pontes frágeis, transversais melancólicas, não queria percorrer um trajeto longo até conquistar um estado de espírito melhor. Queria transformação imediata: da estação Tristeza para a estação Hip-Hip-Hurra, sem escala e sem  demora.
Eu era ingênua em acreditar que poderia governar meus sentimentos. Como se fosse possível passar por estações deprimentes sem as ver, deixá-las para sempre presas no underground e saltando nas estações que interessam: Euforia, Segurança, Independência. Os pontos turísticos mais procurados.
Viver é uma caminhada e tanto, não tem essa colher de chá de selecionar onde descer. É preciso passar por tudo: pelo desânimo, pela desesperança, pela sensação de fracasso e fraqueza, até que a gente consiga chegar a uma praça arborizada onde iniciam outras dezenas de ruas, outras tantas passagens, e a gente segue caminhando, segue caminhando.
Locomover-se desse jeito é cansativo e lento, mas sei que não existe outra maneira consciente de avançar. Metrôs oferecem idas e vindas às cegas. Mantém nossas evoluções escondidas no subterrâneo. A gente não consegue enxergar o que há entre um desgosto e um perdão, entre uma mágoa e uma gargalhada, entre o que a gente era e o que a gente virou.
Não tem sido fácil, mas sinto orgulho por ter aprendido a atravessar, em plena luz do dia, o que em mim é sombrio e intricado. Não me economizo mais. Me gasto.

Martha Medeiros